13.9.06

 

Funai entrega parecer favorável à demarcação de terra indígena no ES - Matéria veiculada na Folha On Line

A Funai (Fundação Nacional do Índio) em Brasília entregou ontem ao Ministério da Justiça um parecer favorável à demarcação como terra indígena de uma área de 11 mil hectares em Aracruz (norte do Espírito Santo) que hoje pertence à Aracruz Celulose, uma das líderes mundiais na produção de celulose.

Enquanto isso, entrava ontem no quarto dia as manifestações dos índios guarani e tupiniquim, com a continuidade da derrubada e queima de eucaliptos da empresa, justamente com o objetivo de pressionar a Funai a dar andamento ao caso.


Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a área desmatada pelos índios atinge cerca de 36 hectares --o equivalente a 50 campos de futebol-- e o prejuízo passa de R$ 1 milhão.

Os índios dizem que estão limpado as terras para que sejam demarcadas. Eles argumentam que um estudo antropológico feito pela Funai em 1997 identificou a porção de 11 mil hectares como terras dos seus antepassados e afirmam que foi adquirida de forma ilegal pela empresa.

Esse estudo embasou um parecer feito pela Procuradoria Geral da fundação favorável à demarcação, que por sua vez serviu de parâmetro para a decisão do presidente do órgão, Mércio Pereira, de enviar o caso ao Ministério da Justiça com a recomendação de que a área seja revertida aos índios.

Cabe agora ao ministério as providências para que saia ou não o decreto de demarcação.

Em nota, a Aracruz informou que a decisão da Funai não causou surpresa. "Confiamos numa decisão favorável do ministro da Justiça [Márcio Thomaz Bastos], já que nossa contestação contém elementos suficientes para, na visão da empresa, demonstrar que não ocupa e nunca ocupou terras indígenas, que nunca expulsou índios de suas terras e que as adquiriu de forma legal."

4.9.06

 

Ensaio sobre uma díade

Uma discussão muito importante não apenas em tempos eleitorais, remete a eterna díade direita-esquerda, na qual a política se divide desde o início da Modernidade. Termos há muito adotados pelo senso-comum e também por especialistas e estudiosos na área, esta diferenciação teve seu apogeu após as duas grandes guerras mundiais, num período de extrema tensão política global, conhecido como Guerra Fria. Há época, o mundo então bipolarizado entre Estados Unidos (representante maior do capitalismo) e União Soviética (o rival socialista), assistia amedrontado à uma enorme mobilização militar e uma grande ameaça dum conflito nuclear, no qual não haveria vencedor.

Com a falência do “socialismo soviético” e posterior ascensão do sistema capitalista, que resultaria na atual globalização política-econômica e no ideal liberalista, chefiada a duras penas (e armas) pelos norte-americanos, a principal dicotomia política contemporânea foi colocada em cheque por muitos teóricos, que mostravam a incapacidade teórica da divisão de atender a um novo cenário que se encontra em contínua formação.

Embora concorde que o termo direita ou esquerda seja usado muitas vezes de forma indevida, sem distinção e errônea, com o intuito único de rotular negativamente aqueles que tomam posições contrárias às suas, ainda considero a antítese como a mais apropriada representação do cenário político atual.

A direita representa na atual conjuntura todos aqueles – sejam indivíduos, movimentos ou organizações – que acreditam que o capitalismo é a forma de organização final da sociedade, que permanece num contínuo estado de desenvolvimento, dentro de seus limites pré-estabelecidos, onde a desigualdade se faz presente e necessária para a sustentação do sistema. A esquerda, em contrapartida, crê na possibilidade de mudanças no sistema vigente, ao considerar a história um contínuo processo de construção social e ter na igualdade - que depende de diversos critérios de análise - seu maior alicerce de sustentação teórica.

Além disso, a validade dos termos direita e esquerda se faz presente pela ocorrência de diversos níveis de gradações entre um extremo e outro. Ou seja, entre uma esquerda radical – seja ela autoritária ou anarquista – e uma direita extremista – nazi-fascista – existem diversas “esquerdas e direitas”, que acolhem as inúmeras posições e idéias políticas divergentes.

Dizer que a díade está acabada e fadada ao desuso é um erro que não considera as evidências. A maior parte das divisões e debates no campo político levam em consideração a antítese, onde o sujeito se auto-classifica como esquerda ou direita, de acordo com sua visão de sociedade ideal.


25.8.06

 

O morcego - Augusto dos Anjos

Meia noite
Meu Deus! E este morcego E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.


"Vou mandar levantar outra parede..."
-Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!


Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh' álma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!


A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!


 

À pilha com os livros


Hoje à tarde fui à biblioteca pública da Ufes para procurar por algumas obras que julgo serem interessantes e de fundamental leitura. Saí do recinto com um livro entitulado "Poemas", do grande e deprimido Augusto dos Anjos e um outro que trata de política, do autor Norberto Bobbio.


Mas o que me chamou a atenção e me causou um misto de constrangimento e nervosismo foi, ao deixar a biblioteca, uma secretária do local ter me chamado de forma um tanto rude e ostensiva e me dito que deveria mostrar os livros para ela, dando a entender que eu ou outra pessoa poderia estar surrupiando as obras da biblioteca, que necessita de muito investimento e incentivo público.

A secretária estava coberta de razão ao me chamar e pedir que mostrasse os livros, mas penso que poucas pessoas entrariam numa biblioteca com uma lista de nomes de livros nas mãos e ficaria meia hora a procurar nas fileiras incontáveis e mal organizadas duma biblioteca federal, com o único intuito de "malocar" - com o perdão do termo preconceituoso - duas excelentes obras.

Antes o mal do país fosse pessoas que, sem condições de adquirirem livros, os furtem de bibliotecas públicas ou privadas, para absorver um pouco de conhecimento. Não sou a favor de pequenos roubos - embora estes sejam punidos com mais rigor do que os grandes assaltos, como os que ocorrem em Brasília, por gente que se diz instruída e educada, - mas creio que estes seriam recompensados em dobro.

A educação desde sempre mostra-se a única forma capaz de acabar ou ao menos diminuir as disparidades sociais, inclusive roubos e assaltos. O problema da instrução é sua distribuição irregular e privilegiada. Então: "À pilha com os livros".



21.8.06

 

A propaganda é a aura do negócio

As eleições 2006 se aproximam e com elas os "marketeiros de plantão" afiam suas garras para tirarem uma casquinha da renda destinada às eleições, parte dela arrecadada junto aos contribuintes.

Na corrida pelo palácio, por exemplo, cifras exorbitantes serão investidas em publicidade, já que a boa imagem do candidato, atrelada às suas realizações pessoais e políticas, representam o grande atrativo e diferencial para vencer o pleito que virá, numa sociedade global midiatizada e com excesso de informações. E ninguém melhor para vender uma boa imagem do que publicitários criativos e renomados no mercado, que acreditando ou não no que "vendem", em troca de uma pequena bagatela de milhões de reais, ficam satisfeitos em criar o perfil um tanto caricato do candidato "ideal".

Com artifícios estéticos, eles mudam a fisionomia do candidato, de forma a associar uma aparência jovem com um perfil experiente. Usam elementos simples, como um óculos de grau, que passa a idéia de experiência e intelectualidade.

Além disso, as cores são utilizadas de forma subliminar, com a intenção de atrair a atenção de um eleitor/consumidor cada vez mais ansioso e disperso. Com tonalidades frias como o azul, até mesmo o PT, ligado ao vermelho por tradição, faz uso de cores mais leves em suas veiculações na Propaganda Eleitoral Gratuita.

O discurso ritmado e enfático dos candidatos também são uma forma de atrair a atenção dos "espectadores", embora crie o impecílio de rotular os atores políticos de forma semelhante. O agravante desta situação é o fato da semelhança não se restringir à aparência. Forma e conteúdo estão cada vez mais próximos, independente se tal candidato está rotulado como esquerda ou direita, embora essa classificação não me agrade e seja indevida para classificar pensamentos e ideais tão distintos, pra não dizer antagônicos.

O alvo é atingir com uma enxurrada de informações positivas e as vezes duvidosas seu público eleitor/alvo e impedir o bombardeio do candidato pela frente da campanha inimiga.

Numa guerra de trincheiras e de nervos, que não chamarei de Fria pelo sentido que o termo poderia traduzir, nem sempre vence o melhor candidato, mas aquele que está melhor assessorado. E a população corre o risco de pagar o preço duas vezes. Como sempre.


14.8.06

 

Uma lei para todos


Com o meu blogger desatualizado e numa escassez de idéias e de criatividade para levantar assuntos polêmicos ou no mínimo relevantes, me deparei com uma notícia importante, que apesar da badalação da grande mídia, é digna de destaque em qualquer blog que se diz informativo.

O sequestro do repórter Guilherme Portanova e do técnico Alexandre Calado - ambos globais -que ocorreu no último sábado, coloca mais uma vez à mostra a fragilidade da segurança pública no país e a força e organização do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do Estado de São Paulo.

Além da relevância factual, uma análise crítica deve ser feita sobre este caso. A exigência de vinculação de um vídeo "na íntegra" pela Rede Globo, maior emissora de televisão nacional e uma das maiores do mundo, com poder econômico-político capaz de eleger e derrubar um presidente da república, mostra a necessidade da parcela reprimida ou "marginal" da população, para usar um termo carregado de preconceito e conservadorismo, de ser vista e ouvida.

Sem contar o fetiche que envolve a publicidade midiática e o desejo de aparecer ou ser reconhecido, a exibição do vídeo, que mostrava um homem encapuzado fazendo exigências para os presos numa linguagem nada coloquial, coloca em cheque várias nuances da lei, que sempre encontra uma brecha para punir a classe oprimida ou amenizar seus vigores quando trata-se da classe abastada.

Com argumentos um tanto contudentes e lógicos, o PCC exige, entre outras coisas, o fim do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e a possibilidade de reintegração dos presos após cumprida sua sentença. Sua justificativa está embasada na própria lei e nos direitos humanos, que condena em sua teoria, qualquer abuso ou discriminação.

Importante que fique claro que não defendo os "criminosos" ou "meliantes", que comentem "atrocidades" e devem de fato serem punidos com o rigor merecido. Sou a favor de uma lei rigorosa, que coloca atrás das grades por tempo indeterminado o estuprador ou assassino, mas também que coibe da vida pública o político corrupto, que desvia milhões de dólares do bem público (perdão pelo termo hipócrita na atual conjuntura) e é colaborador importante para a formação de futuros "delinquentes".

Uma sociedade mais justa e democrática, pregada por liberais, conservadores e revolucionários, exige uma lei onipotente, capaz de fornecer condições mínimas de vida em sociedade e de punir com a mesma mão aqueles que extrapolam suas regras, que felizmente ou não, existem para serem quebradas.


8.8.06

 

Receita de cinema Hollywoodiano

Ingredientes:

* Uma ficção sem-nexo elaborada por um escritor badalado

* Um famoso diretor adorador de efeitos especiais e explosões
* Um ator egocêntrico com cara de galã, que pega todas as mulheres que vê pela frente, tanto no filme como na vida real
* Uma atriz de corpo perfeito
* Um ator famoso que representa o vilão mal
* Um elenco com algumas estrelas badaladas pela mídia norte-americana, normalmente por motivos promíscuos
* Uma equipe gigantesca de especialistas em milhares de áreas técnicas de áudio e vídeo
* Muita tecnologia e computação gráfica

Modo de prepraro:


* misture o roteiro com a computação gráfica e os efeitos especiais

* acrescente o herói, a mocinha e o vilão, numa trama muito louca e sem coerência. O herói deve sempre salvar a mocinha do vilão mal, cruel e psicótico
* Um final feliz, embasado totalmente no mais puro e simples senso comum. O vilão morre ou é preso, com ajuda do mocinho. Este por sua vez larga a vida promísua por causa da amada. E vivem felizes para sempre. Ou até a próxima comédia romântica.
* Explosões e drama à gosto

Agora é só saborear, com muita pipoca, chocolates M & M e coka-cola ligth



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